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Deverá ser de outro jeito

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  “Definitivamente, eu não estou a fim de pagar essa conta:  para mim não vale o conserto". Ailton Krenak (2020, p. 68) Depois de uma suspensão forçada, já estamos liberados para atualizar nossa produção acadêmica no Currículo Lattes. A “instabilidade dos sistemas”, ocorrida nos últimos dias do mês julho de 2021, foi corrigida. Verdadeiramente, apenas parcialmente. Começo a escrever agora, no dia 14 de agosto, e o acesso ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no CNPq continua frustrado. [1] Outras atualizações vão se acumulando até o retorno à normalidade também. A sério, são inúmeros retornos à normalidade que aguardamos. A mais grave das expectativas permanece incerta. Quando a pandemia terá terminado? O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou quatro dias de festas, já em setembro , para “celebrar a vida”. Será? Usar máscaras na pandemia é um cuidado que muitos preferiram ignorar, favorecendo o contágio e espalhamento do vírus. O estado de emergência...

A conclusão faltante

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    No dia 16 de julho de 2021 contávamos 540 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Na minha cidade, Rio de Janeiro, já existe um cronograma de vacinação que incluirá adolescentes de até 12 anos em setembro. Em novembro toda a população até essa idade terá terminado o esquema vacinal completo (até duas doses) e em dezembro pessoas com mais de 60 anos já estariam recebendo a dose de reforço. Apesar dos números assustadores alcançados pela pandemia no país, parece que até o final do ano a imunização termina e a pandemia poderá atingir o seu fim ou pelo menos estará controlada em números estatisticamente assimiláveis diante do que ocorreu em termos de colapso hospitalar e óbitos até aqui. Mesmo assim, o médico e neurocientista Miguel Nicolelis advertiu, em um artigo publicado no dia 18 de julho no jornal Correio Brasiliense , que a pandemia está longe de acabar . Nicolelis preocupa-se com a transmissibilidade do vírus da chamada variante Delta  e o maior relaxamento das ...

Educar com a mídia na pandemia?

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Educar com a mídia: novos diálogos sobre educação , publicado em 1984, é um dos “livros falados” do Paulo Freire com Sérgio Guimarães. Originalmente, o livro foi publicado com o título Sobre educação: diálogos II . A mudança do título ocorre na edição de 2011, quando a questão dos usos dos meios de comunicação na educação já havia adquirido uma visibilidade maior e agora, quase 40 anos após a sua primeira publicação, constitui um tema incontornável, durante a pandemia. O novo nome da obra praticamente atualiza seu conteúdo, talvez já esquecido pelo tempo. O fato é que as tecnologias estão ainda mais desenvolvidas para usos educacionais e os conceitos também, mais associados às tecnologias digitais. Lá se vão cem anos do nascimento de Paulo Freire, que acontece em meio a uma pandemia viral. Estamos a perguntar na data comemorativa: Paulo Freire teria alguma coisa a nos dizer, de mais específico, sobre os desafios da educação popular e a da comunicação durante pandemia da Covid-19? [1]...

100 Vezes Paulo Freire no Twitter

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O GRUPESQ Estudos Freireanos Contemporâneos e Currículo começa hoje uma série de ações comemorativas do centenário de Paulo Freire (1921 - 2021). No Twitter @FUfrrj vamos publicar até o dia 19 de setembro de 2021, quando Paulo Freire faria cem anos, cem extratos do seu pensamento, um por dia, como modo de mostrar, de forma breve, mas sugestiva, a complexidade e a profundidade da sua obra, ainda fundamental na nossa época. #100vezesPauloFreirenoTwitter #FreconUfrrj #CentenárioPauloFreire #PauloFreireSim #PauloFreire #UFRRJ

Estarei preparando a tua chegada

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O que é “esperançar” em Paulo Freire? [1] O último Paulo Freire, como gosto de identificar, sobretudo, nos seus escritos da década de 1990, falou muitas vezes da “esperança”. Obra publicada em 1992 teve, inclusive, como título: Pedagogia da esperança . Gostaria de lembrar também um artigo que escreveu em dezembro de 1996, portanto, muito próximo da sua partida - “Educação e esperança” -, incluído no seu livro publicado postumamente, Pedagogia da indignação. São duas referências que vou utilizar aqui para discutir o esperançar freireano. Mas para situar o interesse mesmo por essa discussão agora, deveríamos nos perguntar ainda, qual o sentido de falar sobre a esperança em Paulo Freire no momento? O fato é que estamos no meio da pandemia da Covid-19 e a efeméride do centenário de Paulo Freire é também a procura por uma voz que pudesse nos amparar diante tantas mortes e que nos fizesse acreditar que tudo vai passar e que vamos nos recuperar para seguir com as lutas de sempre, mas em u...

Qual o currículo da pandemia?

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A “Ciência dos Memes” explica muita coisa. Um dos melhores memes que traduz perfeitamente uma angústia dos/as professore/as nas aulas on-line é aquele em que Jesus pergunta: “Estão me ouvindo?” Trata-se de uma intervenção na conhecida imagem A Última Ceia, de Leonardo da Vinci. Na representação original, Jesus, no centro da imagem, está na companhia dos apóstolos, mas no meme ele está sozinho na parte inferior de uma tela e os apóstolos aparecem na parte superior, cada um em uma tela menor, tal como vemos nas reuniões on-line com vários participantes. Ou seja, diferente do encontro “presencial”, quando todos estão juntos proximamente, no meme todos aparecem reunidos também, mas “remotamente”. Estão todos juntos através da comunicação digital, é verdade, mas há também um vazio suspeito, quando Jesus pergunta, “Estão me ouvindo?” É um episódio comum nas aulas on-line, quando não estamos certos se alguém realmente nos ouve. Eu mesmo já fiz essa pergunta várias vezes nos meus cursos, na gr...