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Carolina Maria de Jesus, uma vida filosófica

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Lendo Paulo Freire, mais do que nunca: Uma biografia filosófica [1] , me ocorreu de pensar se Carolina Maria de Jesus não viveu uma “vida filosófica” também, do mesmo modo que Walter Kohan (2019, p. 73) propõe para Paulo Freire. A contrapelo das conhecidas tentativas de situar a filosofia em Paulo Freire a partir das influências que recebeu das correntes de pensamento que o precederam, Walter Kohan faz um giro e propõe outro olhar, que não é propriamente o de identificar a conexão conceitual entre autores.  Walter Kohan nos faz ver como Paulo Freire se associa a outras duas tradições, particularmente voltadas para o problema da imanência da vida na filosofia. A primeira delas é a representada por Marx, sobretudo, nas Teses sobre Feuerbach. A segunda está no Foucault tardio de A coragem da verdade. A questão, então, não é o da conformidade teórica com esses autores, mas como neles existia uma preocupação com a própria vida – a vida como problema filosófico – que Paulo Freire se oc...

Deverá ser de outro jeito

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  “Definitivamente, eu não estou a fim de pagar essa conta:  para mim não vale o conserto". Ailton Krenak (2020, p. 68) Depois de uma suspensão forçada, já estamos liberados para atualizar nossa produção acadêmica no Currículo Lattes. A “instabilidade dos sistemas”, ocorrida nos últimos dias do mês julho de 2021, foi corrigida. Verdadeiramente, apenas parcialmente. Começo a escrever agora, no dia 14 de agosto, e o acesso ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no CNPq continua frustrado. [1] Outras atualizações vão se acumulando até o retorno à normalidade também. A sério, são inúmeros retornos à normalidade que aguardamos. A mais grave das expectativas permanece incerta. Quando a pandemia terá terminado? O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou quatro dias de festas, já em setembro , para “celebrar a vida”. Será? Usar máscaras na pandemia é um cuidado que muitos preferiram ignorar, favorecendo o contágio e espalhamento do vírus. O estado de emergência...

A conclusão faltante

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    No dia 16 de julho de 2021 contávamos 540 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Na minha cidade, Rio de Janeiro, já existe um cronograma de vacinação que incluirá adolescentes de até 12 anos em setembro. Em novembro toda a população até essa idade terá terminado o esquema vacinal completo (até duas doses) e em dezembro pessoas com mais de 60 anos já estariam recebendo a dose de reforço. Apesar dos números assustadores alcançados pela pandemia no país, parece que até o final do ano a imunização termina e a pandemia poderá atingir o seu fim ou pelo menos estará controlada em números estatisticamente assimiláveis diante do que ocorreu em termos de colapso hospitalar e óbitos até aqui. Mesmo assim, o médico e neurocientista Miguel Nicolelis advertiu, em um artigo publicado no dia 18 de julho no jornal Correio Brasiliense , que a pandemia está longe de acabar . Nicolelis preocupa-se com a transmissibilidade do vírus da chamada variante Delta  e o maior relaxamento das ...

Educar com a mídia na pandemia?

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Educar com a mídia: novos diálogos sobre educação , publicado em 1984, é um dos “livros falados” do Paulo Freire com Sérgio Guimarães. Originalmente, o livro foi publicado com o título Sobre educação: diálogos II . A mudança do título ocorre na edição de 2011, quando a questão dos usos dos meios de comunicação na educação já havia adquirido uma visibilidade maior e agora, quase 40 anos após a sua primeira publicação, constitui um tema incontornável, durante a pandemia. O novo nome da obra praticamente atualiza seu conteúdo, talvez já esquecido pelo tempo. O fato é que as tecnologias estão ainda mais desenvolvidas para usos educacionais e os conceitos também, mais associados às tecnologias digitais. Lá se vão cem anos do nascimento de Paulo Freire, que acontece em meio a uma pandemia viral. Estamos a perguntar na data comemorativa: Paulo Freire teria alguma coisa a nos dizer, de mais específico, sobre os desafios da educação popular e a da comunicação durante pandemia da Covid-19? [1]...

100 Vezes Paulo Freire no Twitter

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O GRUPESQ Estudos Freireanos Contemporâneos e Currículo começa hoje uma série de ações comemorativas do centenário de Paulo Freire (1921 - 2021). No Twitter @FUfrrj vamos publicar até o dia 19 de setembro de 2021, quando Paulo Freire faria cem anos, cem extratos do seu pensamento, um por dia, como modo de mostrar, de forma breve, mas sugestiva, a complexidade e a profundidade da sua obra, ainda fundamental na nossa época. #100vezesPauloFreirenoTwitter #FreconUfrrj #CentenárioPauloFreire #PauloFreireSim #PauloFreire #UFRRJ

Estarei preparando a tua chegada

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O que é “esperançar” em Paulo Freire? [1] O último Paulo Freire, como gosto de identificar, sobretudo, nos seus escritos da década de 1990, falou muitas vezes da “esperança”. Obra publicada em 1992 teve, inclusive, como título: Pedagogia da esperança . Gostaria de lembrar também um artigo que escreveu em dezembro de 1996, portanto, muito próximo da sua partida - “Educação e esperança” -, incluído no seu livro publicado postumamente, Pedagogia da indignação. São duas referências que vou utilizar aqui para discutir o esperançar freireano. Mas para situar o interesse mesmo por essa discussão agora, deveríamos nos perguntar ainda, qual o sentido de falar sobre a esperança em Paulo Freire no momento? O fato é que estamos no meio da pandemia da Covid-19 e a efeméride do centenário de Paulo Freire é também a procura por uma voz que pudesse nos amparar diante tantas mortes e que nos fizesse acreditar que tudo vai passar e que vamos nos recuperar para seguir com as lutas de sempre, mas em u...