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Que Horas Ela Volta?

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Com este post encerro meus comentários a respeito de três filmes nacionais que, em 2015, abordaram em suas histórias questões sobre a educação no pais.  Os outros dois posts foram sobre Tudo Que Aprendemos Juntos e Casa Grande . Entre os três filmes examinados, Que Horas Ela Volta? foi o filme de maior destaque na mídia, exibido até na TV aberta. Assisti primeiro no cinema e agora foi possível rever também em DVD, de onde extrai os fotogramas que utilizo aqui na minha conversa sobre o filme. Dirigido por Anna Muylaert, é também o único que não tem “cenas de escola”. O tema educação aparece de outro modo, não menos importante. Pelo contrário, sua aparição no filme é questionadora dos jogos de visibildade-invisibilidades que cercam a sociedade brasileira a propósito dos seus temas mais fundamentais. Ao lado de Casa Grande , o filme de Anna Muylaert discute os efeitos de transitividade que os governos do PT causaram na sociedade brasileira, assinalando especialmente ...

Paulo Freire Contemporâneo

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Este texto é uma versão previa escrita para a minha a participação como debatedor no “Cine Debate: Paulo Freire Contemporâneo”, programado como atividade da Semana de Integração do Curso de Pedagogia do Campus Nova Iguaçu da UFRRJ, no dia 3 de março de 2016. * Nas conversas sobre um filme, antes de tudo, é importante lembrar sua autoria. O autor de Paulo Freire Contemporâneo é Toni Venturi, que também dirigiu, entre outras obras, o documentário O Velho, Luiz Carlos Prestes (1997), cinebiografia de outro personagem importante da história do país no século XX. E o que é o filme Paulo Freire Contemporâneo ? Paulo Freire Contemporâneo é um documentário que apresenta a biografia de Paulo Freire narrando momentos marcantes da sua vida pessoal, de educador e intelectual, mostrando ainda a repercussão do seu trabalho e o atual legado das suas contribuições. Toni Venturi realiza o seu filme utilizando imagens documentais, gravações da participação de Paulo Freire e...

Casa Grande

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Depois de ter escrito sobre o filme Tudo Que Aprendemos Juntos , com o propósito de comentar três filmes nacionais lançados em 2015 que “falam” da educação brasileira em suas histórias, agora vou escrever sobre o filme Casa Grande , dirigido por Fellipe Barbosa.   Vi o filme no cinema, mas já está disponível em DVD também, que aproveitei para selecionar alguns fotogramas.  O protagonista do filme é o jovem Jean (Thales Cavalcanti), estudante no último ano do Colégio São Bento, que atravessa situações comuns à idade. Entre escolher a carreira universitária, viver alguma autonomia diante da sua família e iniciar a vida amorosa, Jean não escapa de alguns conflitos.  São dilemas que o diretor do filme apresenta em um enredo mais amplo, problematizando, na verdade, a sociedade brasileira hoje. Os problemas de Jean não são exclusivamente seus, mas de um país que se transforma marcadamente afetado pelas políticas dos “anos PT”. Entre a imagem que inici...

Tudo Que Aprendemos Juntos

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Em 2015, o cinema brasileiro foi uma das mais interessantes vozes da educação no país. Quero dizer com isso que nesse ano algumas obras cinematográficas alcançaram determinada relevância na discussão sobre a educação, dialogando com a sociedade e provocando debates com o seu público. Não são filmes especializados em educação, mas narrativas ficcionais que de algum modo discutem o assunto em suas histórias, interpelando o nosso olhar diante das questões que mostram nestas outras salas, a sala escura do cinema. Pelo menos três filmes, a propósito, merecem a nossa atenção: Casa Grande, Que Horas Ela Volta e Tudo Que Aprendemos Juntos. Pretendo conversar sobre esses filmes aqui no blog em três publicações. Vou começar pelo último que assisti no cinema, agora no início de janeiro: Tudo Que Aprendemos Juntos, filme de Sérgio Machado. Laerte, interpretado por Lázaro Ramos é um jovem músico que pretende ingressar na OSESP. As circunstâncias levaram-no à educação popular e se...

Numa Escola de Havana

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No final de 2014 uma notícia sobre a educação em Cuba foi amplamente compartilhada nas redes sociais. Segundo relatório publicado pelo Banco Mundial , Cuba possui o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe. Notícia que parece confirmar, apesar de todas as contrariedades e contradições: A Revolução Cubana (1959) promoveu resultados nunca alcançados pelos sistemas de educação, mas também de saúde, de outros países da região.     Quando soube de Numa Escola de Havana , filme de Ernesto Daranas Serrano , o citado relatório do Banco Mundial foi a primeira coisa que me ocorreu. Depois me lembrei de um livro que li, ainda na faculdade, nos anos 80, sobre o assunto: A escola em Cuba, de Tânia Zagury. Vagamente, me recordo de algumas considerações da autora, em uma época que a educação no país já era destacada como muito bem sucedida. Eu me lembro que Tânia Zagury sublinhava as características até conservadoras da educação cubana. Eu não sabia muito ...

Últimas Conversas de Eduardo Coutinho

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Os últimos filmes de Eduardo Coutinho já provocavam um vivo interesse de alguns pesquisadores da área de educação por sua obra. Sobretudo, um interesse pela prática das suas “conversas”, o encontro com seus “personagens”. Relação que lembra, em vários aspectos, os contatos com as pessoas das nossas pesquisas no cotidiano escolar e em outros espaçostempos da educação. São questões referidas à conduta do entrevistador, às narrativas dos entrevistados e à ética mesmo desse encontro, que nos interessam, por exemplo, para um diálogo teórico e metodológico com o cineasta. Últimas Conversas , acredito, será recebido com muita curiosidade por esses pesquisadores. Trata-se de um filme com jovens estudantes da rede pública do Estado do Rio de Janeiro. Nada poderia ser mais diretamente provocante para o nosso interesse por sua filmografia. Últimas Conversas não chegou a ser editado por Coutinho.  O título do filme é indicativo da sua inesperada partida e que constitui, então, um le...

“Vamos falar sobre ele?”

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Ao me deparar com a capa da última edição da Nova Escola , através do facebook, fiquei animado para conferir a revista. A publicação se caracteriza por uma linha editorial em nada avançada sobre a educação. No entanto, a capa chama atenção pela relevância do tema na atualidade, assunto que já reúne muitos interessados no país, mas também muita resistência de setores mais reacionários da sociedade brasileira. Diante da emergência da questão, educadores são assediados, por exemplo, por determinadas correntes religiosas para evitar sua abordagem de forma esclarecida e política. A partir dos meus interesses, no campo dos estudos sobre imagens, resolvi me deter principalmente na capa da publicação. Qual a pedagogia dessa capa? Para uma publicação vendida nas bancas e com significativa visibilidade nas redes sociais, sua capa tem um importante alcance comunicativo, informando sobre o conteúdo, mas também tecendo significações, educando. Inclusive, não é incomum a capa constituir a ú...