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Fome

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O que realmente nos faz evitar a abordagem das pessoas que nos pedem dinheiro nas ruas ? Ou ainda, ao contrário, o que decididamente queremos quando procuramos por elas para uma oferta de comida? São encontros entre dois extremos, repletos de receios ou caridosa aproximação. Suas figuras escondem histórias e biografias noturnas, sem a visibilidade solar que acreditamos tranquilizadora. Uma opacidade que, na verdade, também possuímos. Tentamos, muitas vezes, dissipar a neblina que encobre as nossas incertas identidades realizando um bem.   Que pessoas são essas ? Que pessoas somos nós? Quem é você, professor? Fome , de Cristiano Burlan, é um dos filmes nacionais mais interessantes recentemente em cartaz. Na sala em que assisti ao filme, apenas três pessoas presentes. Não sei se o título já nos pede alguma coisa que é melhor desviar os olhos ou se o filme brasileiro praticamente sem publicidade não leva quase ninguém ao cinema mesmo. Uma pena audiência tão pequena. O fil...

Menino 23

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Pense em um documentário que narra uma história sobre nazismo e o destino de cinquenta crianças aprisionadas em uma fazenda, no interior de São Paulo. É o suficiente para levar você ao cinema. Agora, para os que trabalham com educação, imagine que esse filme tem início em uma aula de história, que o seu roteiro é baseado em uma tese de doutorado defendida na área de Educação e que essas crianças foram retiradas de um orfanato católico e entregues a uma família de nazistas. Estamos diante de um filme precioso, é claro. No ano de 1998, durante uma aula do professor Sidney Aguilar Filho, uma aluna conta que na fazenda da família, em Campina do Monte Alegre, foram encontrados tijolos impressos em relevo com a suástica nazista em uma construção já existente no local. O episódio na sala de aula deu início à pesquisa de doutorado “Educação, autoritarismo e eugenia”, apresentada por Sidney na Faculdade de Educação da UNICAMP, em 2011. É também como o filme começa.  Ainda em car...

Sob o olhar de Paulo Freire, retratos dos jovens nas escolas: imagens dionisíacas

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Este texto foi escrito para a minha participação na mesa “Juventudes Dionisíacas”, no dia 14 de julho, durante o I Seminário do Curso de Especialização em Ensino da Arte , que aconteceu na Casa França Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. I O movimento #ocupaescola foi um dos acontecimentos educacionais de maior relevância entre os anos de 2015 e 2016. Provavelmente foi também o movimento mais representativo do espírito das manifestações de 2013, quando tanta gente já se perguntava sobre os destinos daquelas jornadas, se elas não estavam esgotadas, à semelhança da luz fugaz de uma estrela cadente. Em contrapartida, as concepções mais republicanas e democráticas da educação sofrem ataques através de movimentos como “escola sem partido” e “escola livre”. Sobrou até para um dos mais importantes educadores do século XX e declarado patrono da educação brasileira: Paulo Freire – atingido nas ruas e nas mídias. Como sinal dos tempos, até Alexandre Frota foi recebido por ...

Que Horas Ela Volta?

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Com este post encerro meus comentários a respeito de três filmes nacionais que, em 2015, abordaram em suas histórias questões sobre a educação no pais.  Os outros dois posts foram sobre Tudo Que Aprendemos Juntos e Casa Grande . Entre os três filmes examinados, Que Horas Ela Volta? foi o filme de maior destaque na mídia, exibido até na TV aberta. Assisti primeiro no cinema e agora foi possível rever também em DVD, de onde extrai os fotogramas que utilizo aqui na minha conversa sobre o filme. Dirigido por Anna Muylaert, é também o único que não tem “cenas de escola”. O tema educação aparece de outro modo, não menos importante. Pelo contrário, sua aparição no filme é questionadora dos jogos de visibildade-invisibilidades que cercam a sociedade brasileira a propósito dos seus temas mais fundamentais. Ao lado de Casa Grande , o filme de Anna Muylaert discute os efeitos de transitividade que os governos do PT causaram na sociedade brasileira, assinalando especialmente ...

Paulo Freire Contemporâneo

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Este texto é uma versão previa escrita para a minha a participação como debatedor no “Cine Debate: Paulo Freire Contemporâneo”, programado como atividade da Semana de Integração do Curso de Pedagogia do Campus Nova Iguaçu da UFRRJ, no dia 3 de março de 2016. * Nas conversas sobre um filme, antes de tudo, é importante lembrar sua autoria. O autor de Paulo Freire Contemporâneo é Toni Venturi, que também dirigiu, entre outras obras, o documentário O Velho, Luiz Carlos Prestes (1997), cinebiografia de outro personagem importante da história do país no século XX. E o que é o filme Paulo Freire Contemporâneo ? Paulo Freire Contemporâneo é um documentário que apresenta a biografia de Paulo Freire narrando momentos marcantes da sua vida pessoal, de educador e intelectual, mostrando ainda a repercussão do seu trabalho e o atual legado das suas contribuições. Toni Venturi realiza o seu filme utilizando imagens documentais, gravações da participação de Paulo Freire e...

Casa Grande

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Depois de ter escrito sobre o filme Tudo Que Aprendemos Juntos , com o propósito de comentar três filmes nacionais lançados em 2015 que “falam” da educação brasileira em suas histórias, agora vou escrever sobre o filme Casa Grande , dirigido por Fellipe Barbosa.   Vi o filme no cinema, mas já está disponível em DVD também, que aproveitei para selecionar alguns fotogramas.  O protagonista do filme é o jovem Jean (Thales Cavalcanti), estudante no último ano do Colégio São Bento, que atravessa situações comuns à idade. Entre escolher a carreira universitária, viver alguma autonomia diante da sua família e iniciar a vida amorosa, Jean não escapa de alguns conflitos.  São dilemas que o diretor do filme apresenta em um enredo mais amplo, problematizando, na verdade, a sociedade brasileira hoje. Os problemas de Jean não são exclusivamente seus, mas de um país que se transforma marcadamente afetado pelas políticas dos “anos PT”. Entre a imagem que inici...

Tudo Que Aprendemos Juntos

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Em 2015, o cinema brasileiro foi uma das mais interessantes vozes da educação no país. Quero dizer com isso que nesse ano algumas obras cinematográficas alcançaram determinada relevância na discussão sobre a educação, dialogando com a sociedade e provocando debates com o seu público. Não são filmes especializados em educação, mas narrativas ficcionais que de algum modo discutem o assunto em suas histórias, interpelando o nosso olhar diante das questões que mostram nestas outras salas, a sala escura do cinema. Pelo menos três filmes, a propósito, merecem a nossa atenção: Casa Grande, Que Horas Ela Volta e Tudo Que Aprendemos Juntos. Pretendo conversar sobre esses filmes aqui no blog em três publicações. Vou começar pelo último que assisti no cinema, agora no início de janeiro: Tudo Que Aprendemos Juntos, filme de Sérgio Machado. Laerte, interpretado por Lázaro Ramos é um jovem músico que pretende ingressar na OSESP. As circunstâncias levaram-no à educação popular e se...