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Ato/r criador - Educação e arte popular como leitura de mundo em Paulo Freire

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Depois de assistir às apresentações de tantos artistas na mesa [1] , estou aqui pensando como vou me virar, afinal sou apenas um professor. Mas aí eu já posso citar Paulo Freire (2011, p. 45) que disse no seu livro Cartas á Guiné-Bissau : “o educador é um político e um artista”. Então eu também posso me sentir um artista para conversar aqui com vocês.  Por outro lado, gostaria de iniciar a minha participação observando que para o candidato com a maior intenção de votos na eleição presidencial, Paulo Freire precisa ser expurgado da educação brasileira. Fonte: Proposta de Plano de Governo do candidato fascista, página 46. A ignorância do candidato Bozo sobre a educação brasileira é notável. A má fé também. A questão que realmente importa é a seguinte: Por que a investida autoritária contra Paulo Freire agora?                  A propósito, há um episódio biográfico sobre Paulo Freire que é o...

Ferrugem

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Ferrugem , de Aly Muritiba, ainda está em cartaz no Rio de Janeiro, em Botafogo, no Estação NET Rio. É aquilo que muitas vezes observo aqui no blog, os cinemas de shopping espalhados pela cidade mostrando os mesmos filmes sem muita importância e um reduzido número de salas, entre o centro e a zona sul, mostrando filmes que fazem realmente a diferença. Ferrugem foi escolhido melhor filme nacional do Festival do Cinema de Gramado, mas muitos nem sequer vão saber sobre a produção. Como professor, lamento muito porque o cinema nacional mais recente tem exibido filmes bem interessantes para pensarmos sobre desafios da profissão e da própria educação para a sociedade brasileira. O cinema também faz parte das nossas redes educativas e da formação de educadores, inclusive. No entanto, é um cinema para uma população exclusiva que pode frequentar as salas localizadas nas áreas mais nobres da cidade. Como educadores, precisamos nos apropriar do melhor cinema, mostrá-los em espaços mais ...

O Orgulho

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O cinema é uma das vozes da educação. Com ele ampliamos nossas interlocuções como educadores. Assistir a um “filme de escola” é uma formação que realizamos através do audiovisual. De um modo geral, o cinema é ele mesmo uma pedagogia da imagem. E como qualquer outro processo formativo, não somos meros espectadores, tudo submetemos a alguma crítica. Olhar é uma ação mais do que uma passiva recepção. Se vamos ao cinema assistir a um filme, a menos que a película nos faça dormir, a ancestral atração pelas imagens é uma fantasia que realizamos a partir do instante em que nos sentamos e saímos da escuridão absoluta quando a tela acende. Como qualquer cinéfilo, como professores estamos condenados a uma vida entre luzes e sombras também. Ir à sala de cinema nos ajuda a lidar com a penumbra da sala de aula. Dias atrás assisti ao filme francês O Orgulho , de Yvan Atall  A relação entre professor e aluno é um bom teatro para a projeção dos desafios comuns ao encontro das difer...

Carregadoras de Sonhos

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Carregadoras de Sonhos , dirigido por Deivison Fiuza, é um filme excepcional, por mais de um motivo. Com quase 70´, é praticamente um documentário longa metragem protagonizado por quatro professoras, tema bastante incomum na produção do audiovisual nacional. A produção do filme é de um sindicato, o SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica de Sergipe. Não conheço nenhuma outra iniciativa parecida de sindicato de profissionais da educação. Como obra artística, é um filme bastante interessante também. Conheci o filme através de uma cópia em DVD distribuída em uma embalagem compacta que foi encartada como brinde em uma edição da Revista Fórum.  Atualmente, o filme pode ser encontrado no YouTube também. O adicional da cópia em DVD são os extras do filme. Os frames que vou mostrar aqui foram extraídos da reprodução do filme no YouTube.  O filme é construído mostrando a difícil jornada diária das professoras Edielma, Marta, Maraisa e Rose. Não ap...

Maioria Absoluta

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Já observei algumas vezes aqui no blog: o cinema nacional não se interessou muito pelo assunto educação. Não me refiro ao chamado “cinema educativo” ou aos filmes de propaganda de campanhas educativas, mas ao filme que de algum modo problematiza a instituição escola e seus personagens. Tenho procurado escrever sobre os poucos filmes dedicados direta ou indiretamente ao tema. Assim, prosseguindo com o meu projeto  Imagens da educação no cinema nacional , vamos conversar agora sobre o documentário curta metragem  Maioria Absoluta , de Leon Hirszman, de 1964. Uma nota inicial. Quando comecei a minha pesquisa a respeito de filmes nacionais sobre educação, o formato que me interessava exclusivamente era o longa-metragem feito para o cinema. No entanto, como essa faixa de produções mostrou-se relativamente pouco expressiva numericamente, concluí que o melhor seria me interessar por outros formatos do audiovisual também. O ganho para a pesquisa se justifica e o filme  ...

Aos Teus Olhos

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E se o seu o filho chegar em casa dizendo que foi beijado pelo professor? Aos Teus Olhos , de Carolina Jabor, ainda em cartaz no Rio de Janeiro, é mais um filme brasileiro recente com um conteúdo que proporciona uma boa conversa sobre educação. No caso, a propósito da relação do professor com seus alunos e os afetos correspondentes em uma época de múltiplos contatos, mas de muitas vigilâncias também. Não é um característico “filme de escola”, não me pareceu esse o objetivo da diretora, pensar especificamente as relações interpessoais na educação. No entanto, é um filme que pode ser apropriado para pensarmos sobre a questão na educação hoje. Rubens (Daniel de Oliveira) é professor de natação em um clube. Um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), de oito anos, afirma para a mãe que foi beijado pelo professor. Os pais da criança, Davi (Marco Rica) e Ana (Stella Rabelo), são separados e estão sempre em relação tensa. Quando Alex diz ter sido beijado pelo professor, Ana ini...

"Achei esse escravo aqui no fumódromo! Quem for o dono avisa!"

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Agora em março, o episódio da fotografia de um homem negro circulando em um grupo de WhatsApp com uma legenda identificando-o como um escravo fugitivo é mais um entre outros tantos casos de máxima gravidade racista e, infelizmente, não muito incomuns na sociedade brasileira. Ao ver a imagem percebi que ela reunia alguns elementos para uma discussão um pouco mais reveladora sobre o que significa do que aquilo que deixa ver o impacto mais imediato da notícia. É o que eu gostaria de desenvolver aqui. Basicamente, a história é a seguinte: João Gilberto Pereira Lima, jovem estudante da FGV, em São Paulo, foi fotografado por outro estudante em um ambiente da instituição. Ele foi chamado pela própria FGV para tomar conhecimento da situação e a seguir registrou um boletim de ocorrência por injúria racial. O autor da foto foi suspenso pela faculdade por três meses e a apuração dos fatos ainda poderá resultar na adoção de medidas complementares. João Gilberto espera que a história termi...